#2 Caos
Bom dia... Pa todos... Alguém quer comprar maxixe?
Você já tentou ter uma rotina?
Se você já tentou e não conseguiu, esse texto é para você! Não porque ele vai te ensinar a ter uma, mas porque ele vai te falar que estamos juntos no mesmo barco.
Já faz 9 anos que eu entendi que era gente. Eu tenho 23, então, quando eu "for de quatro", completará 10 anos.
Há 10 anos que eu entendi que era gente, e há 10 anos que eu sinceramente não tenho certeza se entendi mesmo.
Você se entende como gente? Porque eu pensava que era uma pessoa, mas, depois de assistir à trilogia de Matrix, não tenho mais certeza do que é real.
Até os meus 16 anos, talvez eu não pensasse tanto nisso, mas depois disso comecei a pensar: "Ei! O que eu quero da vida?! Se eu quero alguma coisa ou acredito em alguma coisa, acho que deveria cuidar melhor disso".
Eu aprendi, no livro "Os Jovens Perguntam", das Testemunhas de Jeová, a ter um plano de vida. Era um livro um tanto quanto interessante na época, e eu diria que o que foi ensinado me serviu bastante.
Só que, até hoje, eu nunca consegui ter uma rotina nem organizar minha vida.
Eu não sei se você que está lendo (que talvez possa ser apenas eu mesmo) já passou pela seguinte situação:
"Depois que eu organizar minha vida, eu vou fazer isso, ou... Depois que as coisas estiverem no lugar, eu vou me dedicar mais a isso."
Eu já fiz isso um monte de vezes (ainda faço).
Eu queria realmente conhecer uma dessas pessoas que levantam às 04:00 da manhã e lavam a cara na água com gelo para depois irem fazer uma caminhada ou qualquer outro exercício.
Provavelmente, eu e minha amiga (Dona Morte) iríamos rir bastante dela.
Eu não sou melhor do que ninguém que tem a vida organizada, mas, quando você tem um leve vislumbre do "sonho da vida", algumas coisas se tornam realmente engraçadas, para dizer o mínimo.
Há algum tempo eu desisti de tentar qualquer coisa. Estou em um momento de seguir o fluxo do que vier.
Eu acredito, ou melhor, tenho certeza de que tenho algum problema psicológico, assim como você que está lendo este texto sem futuro.
Eu negligenciei 8 anos a mim mesmo, enfrentando sozinho um quadro de depressão, achando que eu mesmo dava conta junto com a religião, Javé ou Buda; mas, há mais ou menos um mês, percebi que estava correndo risco de vida e (com a insistência de minha querida vozinha) resolvi ir a um médico.
Como eu sou membro ativamente participante dos dados de pobreza do Brasil, não tenho o money para pagar consultas e "chinelar" a resolução dessas questões. Então, eu dependo do maravilhoso sistema grátis do SUS (Sua Utopia Sagrada).
Então, mesmo que agora eu tenha resolvido cuidar de mim, ainda terei que aguardar um "curto período" comparado com os meus 8 anos de negligência para comigo.
Eu tenho um conselho:
Não se negligenciem! Uma hora vocês vão perceber que, nos momentos de crise, vocês podem, tomados pela confusão, fazer ou quase fazer coisas das quais podem se arrepender se houver consistência após o fim.
Eu tenho meus hiperfocos semanais, mensais, quinzenais ou sei lá mais o quê (novenais?).
Por exemplo:
Em julho, eu estava decidido a aprender japonês para poder ler mangás BL no original. O projeto era aprender o hiragana e o katakana em um mês, no máximo.
Depois de umas duas semanas, esse projeto entrou em hiato.
Antes disso, eu estava no "entre bardo de objetivos", um lugar onde só fico assistindo a séries ou vídeos de terror e suspense no YouTube. Depois desse "hiperjaponêsfoco", entrei no bardo de novo.
Daí entrei em outro hiperfoco, mas não me lembro mais de qual. De modo geral, é sempre assim.
Eu tenho que ter um objetivo básico de vida, senão isso a que chamo de vida desaba e fico confuso.
Esse objetivo varia em períodos de hiperfocos periódicos irregulares, que variam com base no meu gosto pessoal.
Isso está intrinsecamente ligado a projetos de organização de vida e projeções de rotinas que, como sempre, miseravelmente falham, o que ou ativa minha depressão, ou ativa minha fadiga interna, ou ativa o bardo, visto que eu planejo tanto cada detalhe que não há robô ou IA que o faça sem colapsar, quanto mais um pobre ser consciente que se declara humano.
No momento, eu estou no hiperfoco do blog, este em que vos escrevo.
Sinceramente, esse é o mais gostoso, e espero sinceramente, com fé no Buda e em todos os seres, que eu o mantenha (é gostoso falar de si! O ego adora).
Para você ver bem, meu último hiperfoco foi o de criação de uma conlang. Fiz uma em 8 dias; uma minimalista com 137 palavras à lá Toki Pona.
Mas atualmente está em hiato novamente.
Vou me cuidar...
Espero que eu melhore disso (se é que há um problema real), mas sinceramente estou deixando "a vida me levar".
Às vezes, a vida vem para me carregar no colo, mas já tenho uma amizade de longa data tão grande com a Dona Morte que tenho dificuldade de me desapegar. Mas, estes dias, tenho deixado-a um pouco no vácuo (efeito da amitriptilina).
Espero que ela não fique brava comigo e venha pessoalmente me buscar mais cedo do que o de costume; mas, como todos sabem, ela é inevitável e, uma hora, ela vem te buscar. Ou talvez venha às duas, ou três. Muito dificilmente ela vem à uma hora; costuma vir às três, mas depende muito do humor dela.
Se você chegou até aqui, parabéns!
Você não teve nenhum benefício com este texto: ele é inútil e você perdeu tempo.
Mas será mesmo que é possível ganhar tempo?
Namo Amituofo!
Manhã de uma quarta-feira, inverno. 🌘 Lua crescente.
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